12 de abr de 2013

A Lei e Graça do Verdadeiro Pai


"E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.

Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.

E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.

E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? " - Gênesis 3:6-9

"E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito" - João 19:30

Alguém já se perguntou por que razão o Senhor Deus, tão Amoroso e Onisciente colocaria no meio do Jardim do Édem a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, e depois proibiria o homem de comer dela? Será que Ele não sabia que aquilo se tornaria uma tentação? Será que Deus queria que Adão pecasse? Como que é isso? Por que a Lei que proibia de comer da árvore? Deus é um Pai gracioso ou um sádico?

Bem, eu já fiz estas perguntas, e acho que são importantes para desvendarmos as mentiras do diabo que circundam nossas vidas e o nosso relacionamento com Deus.
Não quero entrar especificamente em discussões teológicas a este respeito, mas para responder a estas perguntas gostaria de lembrá-lo de uma outra história que Jesus contou e encontrar ali algumas respostas.

A História é a do Filho Pródigo (Lucas 15.11-32) - A História de um filho que queria algo, algo de valor, algo bom e que certamente herdaria do pai, por direito, mas ele o exigiu em um momento errado, num momento em que a maturidade ainda não havia sido gerada nele. Sem maturidade aquela herança não lhe troxe nenhum dos benefício esperados. E pior do que isto, aquela herança lhe trouxe destruição. Ele ficou em uma condição pior do que a inicial.
Note que a condição inicial do rapaz não era ruim, e o que ele desejou não era algo errado, nem indesejável, mas era inviável e maléfico obter a herança do Pai antes da hora. Ele desprezou a bondade do pai e vida com ele - o que é muito estranho, não? Pensem: Não parece que alguém falou mal do pai dele?

O que me parece é que o rapaz desconfiou que poderia perder a herança, ou ainda que o Pai não seria pai suficiente para dar tudo aquilo e não permitiria que seu filho usufruísse daquelas posses. Ele desconfiou do caráter de pai do seu próprio pai! Loucura?
Como desconfiar do pai? Como algo assim chegaria à mente de um jovem gerado com tanto amor e cuidado? Alguém lhe jogou desconfiança contra o pai, possivelmente.
Sim, podemos supor que o filho pródigo desejou algo antes da hora por desconfiar que poderia perder tudo aquilo. Ele desconfiou do próprio Pai, que triste.

Vamos prosseguir na parábola e relembrar o que aconteceu com este rapaz: Por não ter maturidade para lidar com tantas posses e dinheiro, ele esbanjou tudo o que recebeu numa terra distante, e por fim ficou sem nada e sem ninguém. Ele acabou na mão de um outro "senhor" passando fome, desejando "bolotas" da ração de porcos.
Em um destes terríveis dias o filho lembrou que até os servos do seu pai tinham uma vida melhor do que aquela que ele estava vivenciando. Então pensou que se o seu pai lhe recebesse como servo, pelo menos ele teria o que comer, já que seus direitos de filho haviam sido perdidos por seu ato de imaturidade e desconfiança. Houve aqui um arrependimento, mas a desconfiança do amor do pai permaneceu, pensando que seu pai o trataria como um servo, e o amor de pai para filho sumiria.
Conseguem perceber que o problema é a falta de confiança? Percebem que é não entender o que é Amor?

Ao voltar para casa, a surpresa do rapaz foi ver seu Pai o recebendo na maior alegria e como Filho, anunciando para toda a casa que haveria muita festa com um Novilho cevado à mesa.
Seu irmão mais velho, que permaneceu em casa, viveu ali ao lado do pai todo este tempo sem usufruir do que sempre estava à sua disposição: um Novilho para colocar à mesa e muita alegria.

No fim, o que podemos concluir? Recentemente tenho visto que ambos os filhos desconfiaram do Pai.
Podemos interpretar esta parábola da seguinte forma: o filho pródigo é a humanidade de forma geral, e seu irmão mais velho é todo o povo de Deus.
A Humanidade, os filhos de Adão, e próprio povo de Deus têm carregado este fardo de não confiar em Deus e desconfiar de seu amor.

É neste contexto que quero expor minha visão para as respostas das perguntas do início do texto. 
Deus colocou a Árvore do conhecimento do Bem e do Mal lá no meio do Jardim do Édem porque ela era a nossa herança juntamente com a Árvore da Vida.

O Plano de Deus era, e é ainda, ter homens à sua Imagem e Semelhança, ou seja, filhos! - Gn 1:26
Galatas 4:1 explica o que Deus queria com Adão e Eva - "o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo" - Haveria um tempo para Deus permitir que comêssemos da árvore e completássemos o "Ser igual a Deus" (Gn 3.22). Enquanto ainda jovens e inexperientes, o homem resolveu acatar a ideia maligna de que Deus estava guardando para si o fruto da árvore! Deus não é sádico, instigando a morte - "Desejaria Eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS" - Ez 18:23

A maior mentira do mundo é recheada de verdades. Em Gn 3.15 a Serpente afirma uma verdade: "Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" - Gênesis 3:5
A Cobra mentiu aqui? Não, mas disse a verdade num contexto errado, insinuando que Deus era mau e sádico. E é essa mentira que carregamos ainda hoje em nossas mentes. A Serpente nos fez desconfiar de nosso Pai, ela insinuou o mal - ela sussurrou a maior mentira do universo e nós acreditamos.

Isto fez com que nossos pais, Adão e Eva pecassem. E o pecado nos afastou de Deus.
Porém Deus não se afastou de nós! Lembre-se que logo depois do Pecado de Adão e Eva, Deus veio visitá-los na hora marcada (a viração do dia) e ficou ali "procurando" seus filhos no meio do Jardim.

Agora me diga - E Deus não sabia o que tinha acontecido? Claro que sabia! Mas Ele não é Santo!?!! Como Ele aguentou ficar perto do pecado!!!
Hehehe, esta é a continuação da mesma mentira da cobra. Acredite, Deus não tem problema com o pecado. Sim, é isso mesmo - Ele já havia planejado o sacrifício perfeito de seu Filho Jesus.

Deus não tolera o pecado, detesta, porque sabe que são "bolotas de porcos", sabe que nos fazem mal. A cobra é que nos diz que "pecado é algo bom, mas proibido".
Não! Pecado não é bom, só faz mal. E Deus só não queria que Adão e Eva comessem da Árvore do conhecimento do Bem e do Mal, porque era algo muito poderoso e forte para algum ser imaturo lidar - até hoje não sabemos lidar com este conhecimento. Por isso Deus Criou esta única Lei, até que se cumprisse o tempo para nos permitir participar da árvore.

A árvore estava ali, na frente deles porque era a nossa herança, seria um próximo passo no desenvolvimento dos filhos de Deus.
E Deus deu a livre escolha para eles obedecerem ou não, justamente porque para ser filho de Deus, a obediência deve ser por amor, de boa vontade. Esses são os atributos dos filhos de Deus.

Podemos resumir tudo isso no fato de que nossa herança foi comida antes da hora, e isto nos trouxe o mal e a morte. Deus então, sabendo das consequências, não nos podia deixar comer da Árvore da Vida, enquanto não resolvesse estes problemas, caso contrário nossa condição seria irreversível. Foi então que ele nos tirou no Édem, fechou as portas e prometeu trazer alguém na descendência de Eva que destruiria a cabeça da serpente que é o pai desta grande mentira (Gn 3.15).

Aqui entra o sacrifício perfeito de Jesus, o cumprimento da promessa de Gn 3.15 são as palavra de Jesus na Cruz: "Está consumado" - O Preço do pecado, a morte, foi paga por alguém justo. E que por ser justo pôde tomar as chaves do inferno! Estamos livres para voltar para casa! Lembra do Novilho à mesa do pai do filho Pródigo? O Novilho sempre esteve lá, este sempre foi o plano de Deus. Isto é a Graça do verdadeiro Pai.

Mas infelizmente nós continuamos a pensar que precisamos de nossa justiça para nos achegar a Deus. Continuamos a pensar que precisamos pagar de volta algo para Deus, e acabamos como o filho mais velho, que nunca usufrui do Amor do Pai. Como cristãos precisamos nos desprender deste fardo e aceitar a Graça do Pai. Precisamos entender e aceitar o Amor do Pai.

A Lei nunca veio para resolver nosso problema de relacionamento com Deus. Ela é necessária porque nos ensina os caminhos da vida e a justiça divina (Gl 3.23-26) ela gera o arrependimento que o filho pródigo sentiu no meio dos porcos. Ela aponta para o alvo, mas nós não conseguimos gerar a justiça, nunca.
Se realmente somos sinceros, vamos admitir que não conseguimos cumpri-la perfeitamente desde a profundidade de nosso coração, e mesmo que conseguíssemos cumprir a Lei de Moisés, ela não nos aperfeiçoaria para alcançar a Vida Eterna (Hb 7.19).

É este o enrosco que vivemos hoje. De certa forma ainda sofremos porque somos imaturos espiritualmente. A decisão de Adão e Eva foi optar pelo caminho mais doloroso possível, mas o que precisamos nos lembrar é que Deus nos ama, e Ele mesmo resolveu o problema do pecado para que possamos voltar para a casa do Pai para sermos filhos de verdade que confiam no amor do pai.
Agora a pergunta é: Vamos deixar a mentira da serpente ecoar? Vamos continuar desconfiando?
Precisamos aprender o que é o Amor, porque Deus é Amor.

Como Adão e Eva entregaram a autoridade de suas vidas à voz de Satanás, toda a humanidade e a criação estão debaixo da escravidão do diabo.
Se amamos a Deus e desejamos que seu Reino, sua Casa, aqui se estabeleça, nós vamos confiar no Sacrifício completo de Jesus e vamos voltar para o abraço do Pai, entregando a autoridade de nossa vida e do mundo de volta pra Ele.
Há uma comunhão verdadeira onde Ele pode nos moldar e mudar, trocar nossas roupas, e nos dar dignidade para participar de seu Grande Banquete. Não por justiça própria, mas por causa do Amor de um Pai incrível que chama todos os filhos para uma linda refeição em família.

Esta ausência de justiça própria nos ajuda a amarmos o próximo e também explica como é possível alguém chegar a orar por seus inimigos como Estêvão o fez: "E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu" - Atos 7:60 

Apesar de toda Turbulência, Deus vai cumprir seu grande propósito! Vamos corresponder ao convite?

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